terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Momentos mágicos #2


Ontem, mesmo sem voz, foi e considero um momento mágico, estive com o João e  por isso foi mágico e único. É bom não ter temperatura alta, apesar das dores, senti-me feliz quando me pude por a pé, tinha mesmo de ir ao IPO, não dei muita importância ao facto de não ter voz mas depois percebi que ia ser diferente em todos os aspectos, alguns engraçados outros nem tanto.
No caminho e como é hábito já está enraizado, o telemóvel toca e nem me lembrei que não tinha voz, quando atendo, ouço a pessoa, ouço a pessoa aflita porque não me ouve e a minha voz nada.
Desligo e de volta aos sms, que detesto mas pronto, peço desculpa e digo que não tenho voz, a pessoa pede-me desculpa e deseja-me as melhoras, de volta eu ao sms, agradeço e peço desculpa.
Passado algum tempo, chego à casa da minha amiga, já estava à minha espera, :(.
Soletro um desculpa mas sem voz, espanto dela mas já lhe dito por sms. E ela disse vamos e disse vamos tomar um ou mais chás e isso passa, bem demos a mão, como vem sendo da praxe e fomos.
Duas bebidas quentes e mais 20 minutos de percurso e voz nada.

Chegámos ao destino e enquanto ela foi fazer o tratamento eu fui visitar o João, vi os pais cumprimentei sem voz e eles perceberam o que tinha acontecido e fui ver o João, o momento mágico e único:
- Olá, (disse ele)
- Olá, (respondi eu, sem voz)
A cara de espanto dele :(
- Então, o que te aconteceu, não falas, não te ouço.

Ficou assustado e seguro na mão dele, vi que aos poucos ia ficando mais calmo e sorri para ele.
Arranjo um bocado de papel e escrevo, algumas frases de modo a que ele perceba, a minha letra às vezes não se reconhece e ainda bem só porque guarda alguns segredos meus, perguntei-lhe se queria fazer um desenho e fizemos, no fim pintámos o mesmo desenho.
Na despedida, peguei nele ao colo e elevei o mais que pude, porque aquela criança, tinha um coração tão grande mas tão grande e como pessoa deixa tantos adultos no chão, dei-lhe um beijinho na testa e ele deu-me um abraço.
Depois disse com toda a esperança e roubou-me mais um sorriso:
- Vais ficar bom.
- Eu disse: eu sei, (sem voz mas já não o vi assustado, simplesmente sorriu para mim)

Despedi-me dos pais que me desejaram as melhoras e já tinha a minha amiga à espera.

No caminho de volta, mais duas bebidas quentes mas voz nada, mas também não foi preciso, o olhar diz tudo e acho que o meu revelou alguma coisa, que as crianças fazem-me acreditar sempre num mundo melhor.

São estes momentos que irei guardá-los para sempre no meu coração.

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