sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Permanecendo abertos ao Amor.

Há momentos em que gostaríamos muito de ajudar quem amamos, mas não podemos fazer nada. Ou as circunstâncias não permitem que nos aproximemos, ou a pessoa não está permeável a qualquer gesto de solidariedade e de apoio. 
Então, resta-nos apenas o amor. Nos momentos em que tudo é inútil, ainda podemos amar - sem esperar recompensas, mudanças, agradecimentos. 
Se conseguirmos agir desta maneira, a energia do amor começa a transformar o universo à nossa volta. Quando esta energia aparece, consegue sempre realizar o seu trabalho. «O tempo não transforma o homem. O poder  da vontade não transforma o homem. O amor transforma», diz Henry Drummond.
Li no jornal acerca de uma criança que, em Brasília, foi brutalmente espancada pelos pais. Como resultado, perdeu os movimentos do corpo e ficou sem fala.
Internada no Hospital de Base, foi tratada por uma enfermeira que lhe dizia diariamente: «Eu amo-te.» Embora os médicos garantissem que ela não a conseguia ouvir e que os seus esforços eram inúteis, a enfermeira continuava a repetir: «Eu amo-te, não te esqueças.»
Três semanas depois, a criança tinha recuperado os movimentos. Quatro semanas depois, voltava a falar e a sorrir. A enfermeira nunca deu entrevistas, nem o jornal publicava o seu nome - mas fica aqui o registo, para que nunca esqueçamos: o amor cura. 
O amor transforma, o amor cura. Mas, às vezes, o amor constrói armadilhas mortais, e acaba por destruir a pessoa que decide entregar-se por completo. Que sentimento complexo é este que - no fundo - é a única razão para continuarmos vivos, a lutar, a tentar melhorar?
Seria uma irresponsabilidade tentar defini-lo, porque, como os demais seres humanos, eu apenas consigo senti-lo. Milhares de livros são escritos, peças de teatro encenadas, filmes produzidos, poesias criadas, esculturas talhadas em madeira ou em mármore e, mesmo assim, tudo o que o artista pode passar é a ideia de um sentimento - não um sentimento em si.
Mas eu aprendi que este sentimento está presente nas pequenas coisas, manifestando-se na mais insignificante das atitudes que tomamos, portanto, é preciso ter o amor sempre em mente, quando agimos ou quando deixamos de agir. 
Pegar no telefone e dizer a palavra de carinho que adiamos. Abrir a porta e deixar entrar quem precisa da nossa ajuda. Aceitar um emprego. Abandonar um emprego. Tomar a decisão que estávamos a deixar para depois. Pedir perdão por um erro que cometemos e que não nos deixa em paz. Exigir um direito que temos. Abrir uma conta na florista, que é mais importante que o joalheiro. Pôr a música bem alta quando a pessoa amada está longe, baixar o volume quando ela está perto. Saber dizer «sim» e «não», porque o amor lida com todas as energias do homem. Descobrir um desporto que possa ser praticado a dois. Não seguir nenhuma receita, nem mesmo as que estão neste parágrafo - porque o amor precisa de criatividade.
E quando nada disso for possível, quando o que restar for apenas a solidão, então lembre-se da história que um leitor me enviou uma vez:
«Uma rosa sonhava dia e noite com a companhia das abelhas, mas nenhuma vinha pousar nas suas pétalas.
A flor, contudo, continuava a sonhar: durante as longas noites, imaginava um céu onde voavam muitas abelhas, que vinham carinhosamente beijá-la. Desta maneira, conseguia resistir até ao dia seguinte, quando voltava a abrir-se com a luz do Sol.
Uma noite, apercebendo-se da solidão da rosa, a Lua perguntou-lhe:
- Não estás cansada de esperar?
- Talvez. Mas preciso de continuar a lutar.
- Porquê?
- Porque, se não me abrir, murcho.»

Nos momentos em que a solidão parece esmagar toda a beleza, a única maneira de resistir é continuarmos abertos.
Paulo Coelho

6 comentários:

  1. Gostei de: O tempo não transforma o homem. O poder da vontade não transforma o homem. O amor transforma.

    Tem um ótimo dia ;)

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    1. Eu também gostei dessa citação e do texto em si.

      Obrigado e igualmente, ;)

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  2. Gostei imenso. O amor cura mesmo e trás esperança. Por vezes cura aquilo que nós mesmos acreditávamos ser incurável e mostra-nos o mesmo mundo de uma forma totalmente diferente, melhor.

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  3. Sim, o amor pode ser o sentimento mais estranho que se possa sentir, o mais complicado de se explicar, mas ninguém pode negar que tem muito poder e muita força.
    E realmente move montanhas!
    Boa semana. Beijinhos*

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    1. Olá Sofy,
      Na minha opinião o Amor é o único sentimento que faz a vida valer a pena, algumas pessoas distorcem ou se queixam do amor mas muitas vezes isso não é amor.

      beijinhos e boa semana*

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